

oi. ando por aqui. tudo bem igual. e vc?
lembro sempre de vh. rs.
escrevi algo pra vc e não lembro se lhe enviei.
de toda forma é coisa antiga: segunda-feira, 1 de março de 2010 17:14:54.
é assim:
tenho meu próprio beatnick.
bem, ele é quase meu. não. tá legal.
ele é dele. ele dá muita gargalhada das etiquetas
das camisetas e da sala de jantar, são as pessoas da sala de jantar.
mas ele usa só taco. também gosto. mas uso só camisetas brancas
fabricadas por escravos em taiwan. as torres taiwan.
mão de obra barata, eles entre as baratas. e a logo: basic.
camplítilibêizic. é isso. eu só uso elas. e havainas.
só uso coisa de marca. e uns shorts grandes que disfarçam
que não tenho sex appeal. mas voltando ao meu beatnick.
ele é meio henry miller também. louco por vulvas e vaginas.
fica rebelde se estraga a bandeira gay, mas estraga as bandeiras gays.
não porque não curta exatamente lésbicas ou homossexuais.
o lance é que no momento a bandeira precisava do urubu, e vice-versa.
ele escreve e eu penso que kerouack está vivo e nu.
que aqueles outros caras também estão.
e o vejo na moto amando uma mulher durante quinze anos.
mulher de sorte. mulher de puta azar.
meu beatnick não é fácil. mas é genial como todo beatnick.
ele é lindo e esporra talento. tem algo certo com ele.
tem algo de muito errado. a mãe dele sabe e pergunta:
e aí, filho?, que óculos está usando hoje?
ele é rebelde quando escreve. não só quando escreve.
ele é rebelde porque tem coisas demais sobrando.
doze corações, vários órgãos sexuais, multidão de olhos e mãos.
ele cria choques. você olha o que ele cria e se arrepia e cai no chão
estrebuchando. são coisas fortes. muito sangue escuro preto e branco
escorrendo dos buracos e letrinhas e números.
você olha o que ele cria e quer chorar porque há algo etéreo
e muitas asas e tudo queimando. ele diz que há sempre algo queimando.
concordo.
quando ele escreve e quando eu leio ele é tão rebelde.
me leva pros motéis de sam shepard e eu vejo perto
da piscina suja uma boneca pela metade. a cabeça suja
e o corpo do outro lado. sem pernas, sem braços.
brinquedo encardido, poeira e um cara com chapéu
de cowboy se balançando numa cadeira
lendo os poemas do corso. o chevrolet batido, pneus carecas
descansa perto do posto. betty blue tá fumando um cigarro e olhando as moscas.
é viagem. meu beatnick é uma viagem.
entendo tanto ele que tenho medo.
às vezes ele me faz saber como é um homem.
ele mente. ele joga. ele tripudia. e dirige um caminhão laranja
pelas noites apanhando sacos plásticos de culpa, limpando as ruas.
ele é um fodido porque ele gosta dessa palavra. só por isso.
ele é tão livre que as borboletas ficam se doendo.
eu tenho meu próprio beatnick que não é meu.
um dia vamos nos embriagar de tequila e eu vou ter que correr.
senão ele me come. ou então vou ficar e devorá-lo.
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