segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

malacara

ferias de julho
quase nada para fazer
chovia faziam dois dias
sete moleques na barraca
jogando cartas
matando tempo para espantar o tedio
dando tiros com a 22
nos escassos passaros
que se arriscavam pelos arredores do mato,
onde os guris acamparam...

eis que o filho do estanceiro sentenciou:
- já sei, vamos comer a malacara!!!

amarramos a egua com o traseiro
voltado para a cerca de 6 fios
e fizemos uma fila para fode-la…

chegou a minha vez:
a buceta dela
dava bem na altura
dos meus olhos.

subi no segundo fio de arame
e com a mao esquerda
agarrei o fio do alto
entao enfiei o punho
da mao direita dentro dela

senti as carnes quentes
do animal se abrindo
ao passar da minha mao

enterrei até o cotovelo
e ela nem se mexeu

fiquei com o braço
la dentro
parado,
observando a chuva cair
sobre o soja verde
do ceu cinza dos meus 15 anos

entao virei as costas
e caminhei de volta
para o acampamento

nao sem antes ouvir os gritos:
- tem que comer!
- tem que comer!

virei-me e vi
os meninos perseguindo
meu primo de 10 anos
que chorava e corria
debaixo da chuva


...


natal passado,
30 anos depois
ele se enforcou

na cadeia

em charqueadas

porto alegre

sozinho


mala suerte

malacara

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