
cara, minha cirugia dentaria ontem fui punk!
foram 3 horas para extrair um ciso e um molar inclusos.
deus resolveu me pregar uma peça e plantou dois dentes
que nasceram para dentro, um de frente para o outro.
primeiro passo: um corte de uns 5 cm na gengiva
depois vem a broca retalhando os dentes em pedaços
que são extraidos aos cacos com pressão de alavancas...
detalhe:nao existe dor fisica, a anestesia eh perfeita...
mas, eh como se vc fosse um carro numa oficina mecanica.
o trabalho da broca as vezes libera cheiro de osso queimado.
e eh claro, sempre tem aquele gosto de sangue na boca.
a broca gasta, o sugador entope, mas as pancadas nao param.
tres horas ininterruptas...
e eu que sempre fui a favor do parto natural, rss
1. na primeira hora tentei meditar.
2. na segunda passei a limpo meus ultimos romances
depois do casamento: uma fila de finais fantasmas.
pulei essa parte.
fui parar aos 19 anos numa estrada abandonada com a silvia,
no banco da belina branca: o sol se pondo e a gente
mandando ver...
foi especial porque ela estava menstruada.
o verão, o calor e aquele odor de sangue quente com buceta
me subindo pelas narinas ofegantes...
e agora sentado nessa cadeira sendo massacrado e bebendo sangue:
se isso nao for poesia, entao deus-que-me-perdoe!
3. na terceira e ultima entrei num estresse meio assustador
tipo panico mesmo, medo de perder o controle:
quero que pare tudo! quero ir para casa!
entao separei um pouco do meu lixo: 1. tipo uma vez que saimos para santo augusto eu e meu pai:
fomos caçando perdizes na estrada de chao vermelho,
durante um trajeto de uns 60 km.
lah chegando, fomos direto para a loja do claudio
que era um cara que foi socio do meu velho
nessa loja de santo augusto durante alguns anos.
mas, "ele era muito porco e preguicoso" - reclamava o meu pai.
matamos algumas perdizes no caminho, ou melhor
eu matei, enquanto meu pai dirigia.
nao lembro jamais de ter visto ele atirando,
desde que me ensinou o oficio.
ele sempre dirigia e bebia seu vinho, eu fazia os disparos.
e nao lembro dele deixar meus dois irmaos mais novos atirarem,
quando saiamos os quatro aos domingos, depois do almoço:
os dois menores iam no banco de tras,
eu seguia na frente, com o garrafao de vinho tinto
no meio das pernas, mais a 28 dois canos nos braços
com o cano virado para o asoalho do carro:
um ford corcel marrom modelo "ldo" placas OA 0330.
entao aconteceu o inesperado
meu velho abriu o parta-malas para mostrar a"caça"para o claudio,
e uma perdiz disparou voando aos berros prrrrriiiiiiiiiiiiiiiiii!
foi parar no quintal, atras da loja.
estava dando um trabalho danado para recapturar ela,
então meu velho perdeu a paciencia e disse:
- filho PEGA A 28 NO CARRO!!!
o claudio coloccou as duas maos na cabeça e suplicou:
- nao ivo! pelo amor de deus aqui na minha loja nao!!!
e o velho soh fez aquele "tisk tisk" de desprezo e suspirou.
depois disso o claudio se embrenhou
no galharedo onde a ave estava escondida
e voltou com ela se debatendo nas suas mãos...
- me dah essa fdp aqui!
segurou-a com a mao esquerda, e com a direita
torceu-lhe o pescoço desnucando a miserável
- guarda ela filho, que quando a gente chegar em casa
a tua mãe prepara uma polenta e a gente faz a festa!!
2. lembrei tambem de nos sentados em cima do galpao lah de casa
com uma lata de nescafe cheia da agua e sabao
fazendo bolinhas no topo do telhado
eu o mano e o toco
usavamos canudos de abobora
(colhidos da horta de casa)
a gente ficava la em cima
sentados bem na cunheira,
na parte mais alta das telhas
disputando quem fazia a bolha maior.
nao tinhamos nenhuma protecao,
bastaria um desequilibrio
para rolar telhado abaixo
esses foram os dias magicos,
as tardes de verao sem fim,
o prisma das cores
refletidos na bolha de sabão.
as vezes batia uma brisa
e elas subiam... subiam...
e a gente lah:
- olha essa, olha a minha!
Summertime,
And the livin'is easy.