quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

hell [come]























estou deitado no chão, desse posto de gasolina de beira de estrada, com mais umas 500 pessoas, lado a lado no piso sujo. encostada em mim tem essa mulher velha, desdentada, com as coxas de fora: pernas sexy, dentes podres. É a morte, tenho certeza que é a morte, colada nas minhas pernas…
soa o apito a e gente se vira, se arrruma no chao, feito uma coreaografia de pombos-gohst -dog, céu e piso heaven and hell… outra vez o apito e levantamos tentando formar uma fila, lembra o pátio do carandirú: seguimos coreografando pelo espaço que nos é permitido… perco meu lugar, a mulher velha caminha na frente e atrasa todos,por educação nao a ultrapasso então estou numa fila sozinho, no lugar errado, do outro lado vejo uma colega do tempo da faculdade …
estou de volta no posto de gasolina de beira de estrada, e descubro que nao tenho nenhum documento, soh a minha velha bolsa alaranjada de lona… com tres maquinas fotograficas velhas: uma olympus trip 125, uma kodak velha anos 60 e uma miniatura de plastico… estao velhas e empoeiradas, cansado descubro que fui tapeado, que estou em 2015 com cameras de 40 anos sem filme, que nao podem mais registrar nada… vou me embora penso…nao tenho dinheiro nem documentos… encontro um escultor arrastando uma tora de arvore que me diz algo que nao entendo: ele fala outra lingua… entao me deparo com um frentista, que me diz que estou a 80km do rio de janeiro, eu digo a ele que vou andando, vou embora caminhando mesmo… ele diz que eh o inferno, que as pistas vao estar lotadas… me olho  e vejo que estou de calção e camiseta, descalaço… que vou queimar debaixo do sol, desprotegido… ainda assim decido que tenho que ir partir AGORA…
encontro duas adolescentes, peço por uma passagem de onibus… a loirinha me dá uma caixa de fosforo, enrolada num guardanapo de bar, junto com um xiclete amassado e uma ponta de marlboro velha…
é tudo que eu tenho, ela ri feliz… sem um canino no canto da boca, lembro que estou no inferno, que ela deve ter deoença venerea e depressao…  ela novamente sorri confiante e diz: entra no onibus, entra no onibus e faz esse gesto com o gurdanapo… eles nem vao perguntar nada… é a passagem…
essa é a tua passagem

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