quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

dezesseis
























vazio
os discos na parede
o quarto nu
as flores secando no vaso
um copo pela metade
cama e chuva fria
a tv esfomeada
marcando quatro a zero
mudei para californication
e morri ali
no escuro
quietinho
missing you
teu riso facil
alinhavando memórias
rostos e viagens
os exames secretos
nenhuma certeza
só o riso grátis,
"cortesia da casa"
vc disse
o resto são
recuerdos baratos
cada um escolhe os seus
tipo jogo de bafo
vc nunca sabe
qual vai virar
mas continua batendo

é hora do recreio
vc tem 16
e é hora de jogar


hell [come]























estou deitado no chão, desse posto de gasolina de beira de estrada, com mais umas 500 pessoas, lado a lado no piso sujo. encostada em mim tem essa mulher velha, desdentada, com as coxas de fora: pernas sexy, dentes podres. É a morte, tenho certeza que é a morte, colada nas minhas pernas…
soa o apito a e gente se vira, se arrruma no chao, feito uma coreaografia de pombos-gohst -dog, céu e piso heaven and hell… outra vez o apito e levantamos tentando formar uma fila, lembra o pátio do carandirú: seguimos coreografando pelo espaço que nos é permitido… perco meu lugar, a mulher velha caminha na frente e atrasa todos,por educação nao a ultrapasso então estou numa fila sozinho, no lugar errado, do outro lado vejo uma colega do tempo da faculdade …
estou de volta no posto de gasolina de beira de estrada, e descubro que nao tenho nenhum documento, soh a minha velha bolsa alaranjada de lona… com tres maquinas fotograficas velhas: uma olympus trip 125, uma kodak velha anos 60 e uma miniatura de plastico… estao velhas e empoeiradas, cansado descubro que fui tapeado, que estou em 2015 com cameras de 40 anos sem filme, que nao podem mais registrar nada… vou me embora penso…nao tenho dinheiro nem documentos… encontro um escultor arrastando uma tora de arvore que me diz algo que nao entendo: ele fala outra lingua… entao me deparo com um frentista, que me diz que estou a 80km do rio de janeiro, eu digo a ele que vou andando, vou embora caminhando mesmo… ele diz que eh o inferno, que as pistas vao estar lotadas… me olho  e vejo que estou de calção e camiseta, descalaço… que vou queimar debaixo do sol, desprotegido… ainda assim decido que tenho que ir partir AGORA…
encontro duas adolescentes, peço por uma passagem de onibus… a loirinha me dá uma caixa de fosforo, enrolada num guardanapo de bar, junto com um xiclete amassado e uma ponta de marlboro velha…
é tudo que eu tenho, ela ri feliz… sem um canino no canto da boca, lembro que estou no inferno, que ela deve ter deoença venerea e depressao…  ela novamente sorri confiante e diz: entra no onibus, entra no onibus e faz esse gesto com o gurdanapo… eles nem vao perguntar nada… é a passagem…
essa é a tua passagem

sonho com cuba [9 agosto 2014]























estou em cuba num restaurante de tabuas gastas
uma especie de bar velho de beira de estrada poeirenta
uma velh junk box toca uma musica que penso conhecer
apesar do ritmo rser meio salsa ou merengue,
presto mais atencao e percebo que eh confortable numb

estou em cuba e nao consigo saber o valor do cambio em reais...
passao a mao no bolso e descubro 15 dolares uma de dez outra de 5
e mais tres cedulas amarrotadas que nao sei o valor, dinheiro local
estou nesse vilarejo e me dirijo a alfandega, para pegar meu carimbo de saida
mas me tiram o pasaporte e fico a esperar o retorno da papelada
soldados de uniforme confabulam o meu destino

pela janalea vejo essa chamine gigantesta de uma usina
a fumaça se mistura as nuves e ao por do sol, formando uma pintura abstrata...
sinto cheiro de mato
um cachorro mordisca as minhas pernas devagar, ameacando morder mais forte,
atiro ele dentro da piscina e me detenho nas pernas duma mulher que conheco
depois chego muito perto de seu rosto e trocamos confidencias
ela me puxa pela mao e saimos abracados numa trilha com grama
caminho sem pressa, com um desejo me subindo pelo corpo

continuo em cuba, sem saber o cambio,
sem saber oque posso fazer com 15 dolares
e nenhum passaporte

descubro que quem joguei na piscina nao foi o cachorro que quis me morder
mas sim uma menina da 11 anos,
choro e peço desculpas, tento justificar o engano

nao sei mais oque fazer aqui... olho pelo ceu e a usina continua desenhando
fumaça em meio as nuvens abstratas

cada vez mais lindas… cada vez mais escuras


cai a noite.