estou em cuba num restaurante de tabuas gastas
uma especie de bar velho de beira de estrada poeirenta
uma velh junk box toca uma musica que penso conhecer
apesar do ritmo rser meio salsa ou merengue,
presto mais atencao e percebo que eh confortable numb
estou em cuba e nao consigo saber o valor do cambio em reais...
passao a mao no bolso e descubro 15 dolares uma de dez outra de 5
e mais tres cedulas amarrotadas que nao sei o valor, dinheiro local
estou nesse vilarejo e me dirijo a alfandega, para pegar meu carimbo de saida
mas me tiram o pasaporte e fico a esperar o retorno da papelada
soldados de uniforme confabulam o meu destino
pela janalea vejo essa chamine gigantesta de uma usina
a fumaça se mistura as nuves e ao por do sol, formando uma pintura abstrata...
sinto cheiro de mato
um cachorro mordisca as minhas pernas devagar, ameacando morder mais forte,
atiro ele dentro da piscina e me detenho nas pernas duma mulher que conheco
depois chego muito perto de seu rosto e trocamos confidencias
ela me puxa pela mao e saimos abracados numa trilha com grama
caminho sem pressa, com um desejo me subindo pelo corpo
continuo em cuba, sem saber o cambio,
sem saber oque posso fazer com 15 dolares
e nenhum passaporte
descubro que quem joguei na piscina nao foi o cachorro que quis me morder
mas sim uma menina da 11 anos,
choro e peço desculpas, tento justificar o engano
nao sei mais oque fazer aqui... olho pelo ceu e a usina continua desenhando
fumaça em meio as nuvens abstratas
cada vez mais lindas… cada vez mais escuras
cai a noite.