sábado, 12 de janeiro de 2013

dEUS




lapa café.
lapa,
rio de janeiro.
11 de janeiro de 2013:
11 da noite.
– qual a cerveja mais barata?!
– heiniken, * … reais.
(* barulho de musica alta)
– três reais??
– SEIS reais!
– puta que o pariu cara... tudo bem,  mê vê uma dessas!
o garçom desaloja seu lado petulante e me chuta essa:
– não é tão longe da mais cara…
– qual é a mais cara?
– DEUS.
–quanto cutsa?!
– 200 reais  (rindo)
– ah tah!
pego a minha haineiken, que na verdade é uma bud (vai entender)
e me dirijo para mesa bem da frente:
uma tavola redonda de 8 lugares
localizada no lado direito do bar:
vazia…
são oito cadeiras só para mim, penso...
os garotos afinam os instrumentos: pre-show pre-palco, pré-tudo!
bebo minha bud aineken.
estou triste.
é sexta
e a melancolia tatua fundo minha existencia mediocre…
é sexta
e não estou beijando ninguem,
olhando ninguem,
pensando ninguem!

deixo a bud haineken pela metade.
me dirijo ao bar, saco a cartela
enfio na mão do garçon e disparo melancolicamente:

– me vê uma DEUS!
o garçon empalidece:
– quantos copos?!
– dois!
ele coloca DEUS na minha frente,
garrafa escura.
sólida.
rolha envolta em chumbo negro.
lembro do holy grail:
– abra!
ele abre a garrafa, e coloca dois calices grandes em cima da mesa.
sirvo meia taça para ele e digo:
– beba!
ele fica muito sério:
toma um golinho...
– é para beber tudo cara!
 ele vira o copo e fecha os olhos…
dou as costas.
pego DEUS, meu copo e vou para mesa…
sento.
sirvo meio copo.
tomo um gole e…
– meu deus do céu!
tomo outro gole,
uma golada grande, e…
DEUS existe, penso…
não é pelos duzentos reais, penso,
mas a sensação é que estou bebendo
a melhor coisa dos ultimos tempos…
na hora lembro de um chiclete em pó, que explodia na boca,
que eu comia lá em los angeles…
sinto como se estivesse bebendo diamante moido…
lembro dos vinte anos,
voando naquela cocaina que parecia com escamas de peixe…
lembro de tudo isso e bebo DEUS:
– filhos da puta! essa merda realmente vale 200 reais, vale 500…
 minha melancolia foi para a puta que o pariu:
chega outro garçom na mesa e coloca a garrafa num balde de gelo.
a banda começa a tocar.
o guitarrista tem uns desenove anos:
choro.

Um comentário:

M o r f i n a d o r disse...

D eus
D e
+
N ao
N rgiza
N inguem