terça-feira, 31 de janeiro de 2012

chumbo




olhos cor de chumbo
coelhos brancos
saltitam no deck
conversas ego sonicas
se desmancham no ar
o chumbo quer meditar

chove
os coelhos correm
o chumbo derrete

datas marcadas:
"em março" ela diz

jogou a toalha
em sao paulo,
aqui no deck:
rio de janeiro
mata atlantica
uma tonelada
de paisagem
aos pés dela

o chumbo evapora,
uma nota no ar
uma esfinge
um som
os coelhos voam
a chuva para
a fumaça sobe
a banana flamba
o queijo coalha

camisa quadriculada
nenhum ruido
camera-lenta
beira da piscina
aos pés dela
seus longos dedos
roçam a tela de toque:
mark lanegam
blues funeral

surda,
a madeira estala
ela franze a testa
e desaprende a sorrir
nunca a vi
mas
parece que
alem da bicicleta
deram um jeito
de roubar-lhe
o sorriso

isso sim,
um crime

Nenhum comentário: