quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

riScossssss



sentei na
varanda
e vi um jato
riscando o ceu

lembrei
de vc
riscando
lençóis

hoje
no baixo
encontrei
uma conhecida
e foi como
se nao fosse

foi mais
como
um borrão

passam-se
os dias
e os rascunhos
tornam-se
borrões,

viram lixo

amigos
evaporam
viram


como
perder
a chave
de casa
e ficar
na rua

como se
nada mais
pudesse
crescer
debaixo
dos nossos
pés

restam
sómente
os riscos
da calçada

sábado, 26 de novembro de 2011

Baby I got you bad- nick cave


http://www.youtube.com/watch?v=fTNX8OjAeWY



Babe I got you bad
Dreaming blood-wet dreams
only madmen have
Baby I got you bad
I wish to God I never had
And it makes me feel so sad,
O, Baby I got you bad
Yeah, Babe I got you bad

I long for your kiss,
for the turn of your mouth
Your body is a long thing
Heading South
And I don't know what I'm talking about
All of my words have gone mad
Ah, baby I got you bad

Seasons have gone wrong
And I lay me down in a bed of snow
Darling, since you've been gone
well my hands, they don't
know where to go
And all of my teeth are bared,
I got you so much I'm scared
Ah, baby I got you bad

With the sweep of my hand
I undid all the plans
that explode at the moment I kissed you
on your small hot mouth
and your caramel limbs
that are hymns to the glory that is you.
Look at me darlin' it's sad sad sad
Look at me darlin' it's sad sad sad
Baby I got you bad

Smoke blowing from the bridges
and the rivers we swim in are boiling
My hands are reaching for you everywhere
but you're not there, or
you're recoiling
and a weary moon dangles from a cloud
Oh honey, I know it's not allowed
To say I got you bad.

I got you bad...
I got you bad...
I got you bad...

sad waters - nick cave


http://www.youtube.com/watch?v=iZYCnMlnwa4


Down the road I look and there runs Mary
Hair of gold and lips like cherries
We go down to the river where the willows weep
Take a naked root for a lovers seat
That rose out of the bitten soil
But sound to the ground by creeping ivy coils
O Mary you have seduced my soul
And I don't know right from wrong
Forever a hostage of your child's world


And then I ran my tin-cup heart along
The prison of her ribs
And with a toss of her curls
That little girl goes wading in
Rollin her dress up past her knee
Turning these waters into wine
Then she platted all the willow vines


Mary in the shallows laughing
Over where the carp dart
Spooked by the new shadows that she cast
Across these sad waters and across my heart

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

semen



hoje meu filho vei me ver
e ele usava sapatos
sapatos que faziam dele um homem
veio de uma entrevista
de um emprego
e percebi que em fim
ele era um homem
e
senti
uma coisa me comendo
por dentro
porque ele estava sendo
testado
jogado na arena assim
sem mais nem menos
pra ser alguem
e
olhei para dentro e percebi
que passei a vida toda
fugindo dessa arena
e
agora o sangue do meu sangue
estava lah,
sendo escolhido ou rejeitado
e
odiei o mundo mais do que
sempre havia odiado
porque embora
eu sempre tivesse lutado
para escapar
agora eles tinham agarrado
uma parte de mim
meu semen

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

quem





27/04/2005 [texto de jeronimo cecatto]

Eu só queria ter 16 de novo, parar o carro e ficar olhando, atônito, o vai-vem desesperado do limpador do pára-brisas, com um copo de vinho tinto numa mão, o Gudum aceso na outra, já tarde da noite, esperando meu amigo voltar da faculdade, enquanto o radio tocava um k7 do Luna – Tiger Lily : something in her eyes, tells that I should try, something into myself, tells run away… enquanto eu não pensava no amanhã, enquanto eu achava q já era homem, sem saber que me tornaria um de verdade somente depois de uma temporada em Londres, enquanto minha obrigação maxima era não ter obrigação. Na real, você descobre que virou homem de verdade quando vai ao medico ou dentista, e, logo após a consulta, deixa parte de seu dinheiro com a secretária. Isso mesmo… nao tente me convencer de que você é homem de verdade se ainda não passou a pagar o dentista e o medico com a grana do seu próprio bolso.

Engatei a marcha ré e pressionei o acelerador com a força que faz alguém que deseja abrir o próprio caixão. Parei quando nao consegui passar por cima do carro que estava estacionado uns 30 metros de distância de onde eu iniciara a aceleração.
- Preciso falar contigo. Vamos lá for a – disse já tremendo.
Alguns passos e já nos encontrávamos fora da festa. Foi quando meu irmão perguntou:
- O que acontceu?
- Bati o carro… dei uma “résinha”.
- Vamos lá ver.
Mais alguns breves passos e chegamos ao carro.
- Pô Negão, tu me disse que tinha sido um “résinha”. Que paulada hein meu- disse meu irmão olhando pra parte traseira direita do carro arrebentado.
- O que eu faço agora?
- Fica tranquilo, quando eu tinha a tua idade já tinha entrado embaixo de um caminhão de moto.

Ainda muito amedrontado pelo fato de ter que enfrentar meu pai, peguei o que sobrou do carro dele e fui embora. Estacionei-o contramão, de forma oblíqua, com a porta do motorista bem em frente ao portão de entrada/saída da casa, imaginando que meu pai, na manhã seguinte, entraria no carro, me deixaria na escola e iria trabalhar sem ver o estrago que eu havia feito.

Bati a porta da frente e observei meu pai entrar no carro, exatamente como previ. Fiz a volta e coloquei a mão na macaneta para abria a porta, enquanto meus olhos percorriam a lataria destrocada e enviavam ao meu cérebro um album repleto de fotos preto & brancas daquele que seria meu segredo mais íntimo na ocasião. Meu pai vai me matar quando ver isso.

- Tenha uma boa aula filho!
- Bom trabalho pai – disse já fechando a porta e admirando o carro que partia todo torto avenida afora.

Sai da aula e corri em direção a minha casa. Subi no telhado e, mais amedrontado que na noite anterior, fiquei aguardando meus pais chegarem do trabalho. Chegou meu irmão, pai, mãe, outro irmão, uma irmã, mais outro irmão – tenho 5, pra quem não sabe – e eu firme no meu posicionamento de que a partir daquele dia, moraria em cima do telhado mesmo. Afinal de contas, a vista era privilegiada, uma vez que a casa situava-se num morro. Então ouvi o barulho dos pratos sendo servidos a mesa, e, em seguida, o tilintar dos talheres quando todos comecaram a almocar.

Sabe Deus que sempre acreditei na teoria de que todo o mal realizado nos volta de alguma maneira. Estaria ele me castigando por roubar frutas durante parte de minha infância? Ou seria por todas as vezes que menti a minha mãe que já havia tomado banho? Nessa época ela comecou a “comprar” meus banhos com chocolate.

- Oh glorioso Senhor, estas a me punir por ter vendido injustamente meus banhos? Destruí o carro por não banhar-me periodicamente quando pequeno?

Sendo então merecedor de tal punição, decidido, resolvi pagar minha penitência de uma vez. Despenquei do telhado, abri a porta da frente e arrependi-me de minha decisão assim que vislumbrei minha família repartindo a ceia. Mas era tarde demais. Baixei a cabeca e lentamente caminhei em direção a mesa. Sentei, servi uma pequena porção de arroz e feijão, cortei meio bife a milanesa, acrescentei ao prato uma pequena quantidade de pure de batatas, e fiz todo o esforço do mundo para engolir a comida toda.

Doze anos se passaram, e meu pai jamais perguntou o que acontecera naquela noite…. É, o coração é um orgão elástico mesmo.





ouça tiger lily:
http://www.youtube.com/watch?v=QU35q7PAoxE

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

MARIA DO SOCORRO





MARIA DO SOCORRO
É PRETA PRETINHA
MARIA DO SOCORRO
MORA EM SAN DIEGO
NA CALIFORNA
DOMINGO ELA PEGA A 405
E DIRIGE ATE LOS ANGELES
ESTACIONA O SEU
ESCORT BRANQUINHO
NA PORTA DA IGREJA
MARIA DO SOCORRO
JA TEM MAIS DE 50
E ESTA SOZINHA NO MUNDO
É ELA E DEUS
NOS ESTADOS UNIDOS DA AMERICA
MARIA DO SOCORRO
ENTRA NA IGREJA
PRETA PRETINHA
COM O MAIOR SORRISO BRANCO
MARIA DO SOCORRO
REZA, REZA E REZA
DEPOIS VOLTA PRA CASA
SOZINHA,
APAGA A LUZ
DO BANHEIRO
FAZ O SINAL DA CRUZ
MURMURANDO BAIXINHO
UM "DEUS QUE ME PERDOE"
E ENTERRA A MÃO
NO MEIO DAS PERNAS...

a nAdo




tinha 12 anos
terminamos de almocar
e falei para o meu irmao
- vou atravessar!

- nao faça isso!
ele disse

era maio,
inverno no sul
sol radiante
e ceu azul

olhei o outro lado
e me joguei

nadei nadei nadei

quando cheguei no meio
o outro lado sumiu

ouvi uns gritos
meu pai veio
no barco a motor

nadei nadei nadei

e nada do outro lado chegar

comecei a ter medo
e pensar besteira:
que ali no meio
eram 30 metros
ateh o fundo

entao ouvi musica:
minha musica

e fui para a sala dancar

fiquei lah
jogando os bracos
para o ceu
em cima dos 30 metros
de agua, dancando

eu e o colchao
macio das ondas
o ronco do motor de popa
o sol gelado do inverno
e a trilha sonora
dos 12 anos

nadei nadei nadei

2 mil metros,
ate pisar a borda
de terra vermelhaa

meu pai encostou
o barco
e me deu
um tapa na cara

- tu quer morrer guri?!

depois me deu
um abraco forte

el rey



ontem senti
uma vontade safada
de entrar no mar
e apagar a luz

sentado
abeira do caminho
comendo cachorroquente
as 4 da manha
no meio da rua
olhando
o mar de onibus
iguais
carros tudo ou preto
ou prata
foderam com as cores
no rio de janeiro

e
no monitorzinho de 12"
da banca de cachorroquentes
eu vi el rey andar de 4
eu vi a vovozinha,
a mae do sivuca
eu vi a vovozinha no jo soares hoje
a mae do marido da fernandinha torres

-sem surpresas!"
ela disse
- eu sou a encarnacao
eu sou a CONSPIRACAO"
entenderam?

- fui eu , meus filhos
que escolhi o nome
daquele bloco:
ME BEIJA
bésame
que
soy
réalisateur"

enquanto isso
a plateia do balofo
extasiada:
aplaudia

el rey andando de 4

terça-feira, 23 de agosto de 2011

30012011sonho






estou na penumbra dessa sala, num inverno de fim de tarde.
converso com minha mãe, meu irmão e minha avó.
disctutimos o melhor lugar para colocar o guarda roupa de um primo
que se suicidou no ultimo natal.

mamãe comeca espremer um furunculo proximo ao meu umbigo,
faço cara feia. ela diz que nao dói, que é para eu olhar, que vai
sair muita coisa. entao ela espreme mais, e começa a sair uma carne
vermelha, do tamanho da ponta de um polegar…
ela puxa mais e tira a coisa inteira: meio viva, pulsando,
parece um coracao de galinha, porem bem mais vermelho…

realmente nao doi. ela tira montes daquelas bolotas do coisas vivas
de dentro da minha barriga. logo em seguida estou sozinho na sala,
bem mais escura, com os meus pés enterrados até os tornozelos
nesse mar vermelho de picanhas tremulas
que se debatem feito peixes agonizantes fora d'agua…
ela entra e diz "tirei seicentos deles, meu filho, todos com vida!"

entao vejo que se parecem com fetos humanos
tremulos, disformes, ensanguentados...

vivos.



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

sexta feira ordinaria





sou um macaco
sentado
na escada
com um jarro
de liquidificador
quebrado
no colo

choro
tormentas
todo vazio
estocado
em caixas
escuras
do pensar
os leds
palidos
da caixa
craniana
piscando:
sim
nao
sim
nao
sim

esvaio-me
em nuvens
de tristeza
chicoteando
pingos
pelo solo
agonizante

chovo
- demonios
- sonhos
- pesadelos

a vida
nada mais é
do que uma
longa fila
de espera

então espero
silenciosa
mente
des
espero
respeitosa
mente

des
espero:

a morte
o nada
o imenso
tubarão
escuro
que nada
aqui
dentro.



nada.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

busstop







estou aqui parado
na porra desta rua
esperando a desgraça
desse onibus
que nunca chega.
estou indo para
a noite de autografos
de um merda.
a porra de um merda…
fina merda eu diria…
merda seca:
mais um daqueles
livros de cartas-marcadas

entao passa essa puta,
deixando um rastro
de perfume no ar
e eu me fodo todo
pensando no carinho
que nao tenho
e me cago ouvindo scott walker
cantando black sheep boy
parado ao lado
de um monte de sacos plasticos
sacos de lixo pretos
cidade estupida,
errei o cenario,
estou preso num filme do fellini
e sao umas oito da noite
e não é o 8 e 1/2
e a porra do onibus
realmente nao chega
e a puta de cabelos longos
e perfume barato
se enfia no 438
e desaparece na noite
e uma land rover
de vidros escuros
estaciona bem ao meu lado
o cara da frente enfia a porta
na minha cara
quase que me acerta
o filho-da-mãe!!!
e eis que da porta traseira
desce uma menina linda
se arrastando
em muletas metalicas
com uma das pernas
decepadas bem no meio

viro a cara
para nao acompanhar
tanta desgraça
debaixo desse ceu

o diabo eh mesmo
um merda de um sacana:
me mandou uma puta.
e deus??
deus eh um fodido
e cinico:
me serviu uma aleijada.
um provoca
o outro pune,
um incita
o outro castiga…

peido

e fico com a impressao
de que os dois sao
a mesma pessoa
deus e o diabo
na terra do sal

chega a desgraça
do meu onibus,
baixo a cabeca e
sigo para o matadouro.

quieto.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

.................................................




todas minhas historias
sao suas
meu bem

nunca mais
acordei
desde que
te conheci

meu sonho
eh vc
em vc
com vc

e,
oh sim
guardaria
cada
pedaço seu
nos meus
bracos
e,
seriam
todos
seus
os meus
abracos

meu colo
travessseiro
meus dedos
seu descanso
seus cabelos
meu passeio
seu rosto
minha certeza
seu corpo
meu sonho


e,
por fim
a escuridao:

testemunha

domingo, 24 de julho de 2011

"Fish swim
Birds fly
Daddies yell
Mamas cry
Old men
Sit and think
I drink"

sexta-feira, 3 de junho de 2011

If I took you darling
To the caverns of my heart
Would you light the lamp dear?
Would you light the lamp dear?


quinta-feira, 12 de maio de 2011

stardust no brooklyn





bem
parece que te perdi

mas oque eh viver
senão subtrair?

sofro um pouco
quando fico sem
as tuas palavras

dia de perda
véspera
de multiplicação

afinal, deus...

deus deve ser


(1) um

puta matemático,


rsss


ou




[1] um
astro-físico
desorientado

quarta-feira, 11 de maio de 2011

el rey





ontem senti
uma vontade safada
de entrar no mar
e apagar a luz

sentado a beira do caminho
comendo cachorroquente
as 4 da manha
no meio da rua
olhando
o mar de onibus
iguais
carros tudo ou preto
ou prata
foderam com as cores
no rio de janeiro

e
no monitorzinho de 12"
da banca de cahoro-quentes
eu vi el rey andar de 4
eu vi a vovozinha,
a mae do sivuca
eu vi a vovozinha no jo soares hoje
a mae do marido da fernandinha torres

-sem surpresas!
ela disse
- eu sou a encarnacao!
eu sou a CONSPIRACAO"
entenderam?

- fui eu , meus filhos
que escolhi o nome
daquele bloco:
ME BEIJA
bésame
que
soy
réalisateur"

enquanto isso
a plateia do balofo
extasiada:
aplaudia

el rey andando de 4





http://www.youtube.com/watch?v=R5Q09ugxN7o



.

dominGO




vc sempre pode dizer:
fudeu!
acabou!

hoje foi assim
um domingo tipico

peguei a bike para
almocar na lagoa
enchi os pneus

pedalei ateh
o restaurtante
comi

voltei empurrando...
o dianteiro estava furado

ouvi cripple creek
nos headphones

caminhei ateh a padaria
paguei 6 latas de bohemia

bebi 5 e pensei:
fudeu!
eh isso...

colocquei essa almofada no chao
sentei aqui na varanda
e fiquei olhando para o cristo
de bracos abertos

e

descobri um angulo novo
de ver a vida

e,


acho

que nao eh tao ruim assim...

terça-feira, 10 de maio de 2011

dejavu







dejavu
assim foi o dia hoje
caminhei na barra, olhei o painel novo, fui a reunioes chatas
[muita gente, muitas opinioes]
chupei um maço de halls sabor morango
olhei o sol
peguei um taxi errado
motorista burro
dei gorjeta pra ele
cheguei no horario na reuniao
todos lah eu e mkeu mac pixado
`que que eh isso aih no teclado"?
perguntou a peituda do marketing?!
- sao espermatozóides invadindo o teclado
disse eu chupando o penultimo haalls de morango antes
da reuniao comecar
- humm...
agora nao posso me distrair, penso, tirando os olhos
dos dois peitoes fartos...
serao implantes siliconados?!
volto, apresento.
o telao funciona
opinioes diversas: gosto do cristo mas nao gosto do maracana
tah muito redondo (uau! esse dai descobriu a roda, o maracana
tah redondo, nao eh a toa que ele eh o gerente de marketing)
a filha do dono bonitinha, faz um muchocho e diz que nao gosta do MAN
e do MAC, como ficaram...
bocejo, minha tatica em reunioes assim eh dar razao para todo mundo
e depois voltar no outro dia exatamente com o que EU quero
atravesso a via expressa
tah inverno na barra
inverno bom, com solzinho e tudo
nao durmo ha umas 4o horas,
a reuniao acabou
e continuo no piloto automatico
sao 5 da tarde nao dormi e nao almocei
chupei um pacote de halls
tomei fluoxetina
tomei prolift
e sigo atrevessando freeways no piloto automatico
alguem me guie agora, nao sou mais eu
gávea... pego esse onibus
tah lindo dentro
parece onibus da minha cidade lah no sul
as pessoas parecem amistosas
deve ser o cansaco, penso
ninguem eh amistoso em onibus no rio, na barra entao... eh o inferno
desco no dawtown
atravesso outra via expressa
e lah do outro lado da rua esta vc
caminando com um a calca preta
cabelo cortado rente a nuca
tremo
nao pode ser
eu nunca te vi
so conheco por fotos
nao caminha
flutua
nao esta exatamente ali
estah plugada
o corpo estah ali
mas a alma estah sentada numa maquina
a bilhoes de segundos longe
conectada
passo olho
vejo o rosto
reconheco
e vc nao percebe nada
vc nao estah ali
vcv nao eh vc
vc nao existe
vc eh uma projecao dos meus desesjos
para preencher as minhas necessidades
entro no onibus e olho pela ultima vez
e tenho certexza que era vc...

amanha vou ler isso e seguir deletando as coisas que escrevo
lembro do Eternal Sunshine of the Spotless Mind
tenho bravamente apagado tudo que diz respeito
a vc, mas sempre sou pego numa trapaça
como ter te materializado hoje a tarde na barra
era vc?!

nao, nao, era eu, sou sempre eu
por isso vou usar minha criatividade onde ela me levar
nao se chateie ou se preocupe com coisas pequenas
lembre sempre que vc nao existe
eu nao te conheco
vc eh so uma praga
que eu tento matar
mas que a cada tentativa
a cada corte
sangra mais
e voltam duas

repito nao eh vc
vc nao existe
isso eh a minha criatividade
se despedaçando
isso sou eu e o oraculo
eu e o sistema
bytes e zeros
eh ah
ostou ouvindo pink moon no repit
desde que comecei a aescrever isso

nao volte aqui
vc nao vai gostar mesmo

sábado, 9 de abril de 2011

sangue seco e poesia barata





sao duas da manha,
nao dormi nada
desde ontem.
desde tudo

sobraram
os lencois
rubros
e teu cheiro
no linho branco

sangue seco
e poesia barata...
alguem poderia
querer mais?!

terça-feira, 1 de março de 2011

queda livre





areia escorrendo
entre meus dedos

despencando
gravidade abaixo.

os elevadores
que me perdoem

mas o mundo hoje
estah em queda livre

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

e eu com d2ois ventiladorers de teto e um ar condicionado querendo fazer de conta que o verao nao existe no meu coracao



querida
tudo bem contigo?
como batata doce assada
bebo vinho escuro gelado
e abro as portas para a chuva
que insiste em nao cair.

tive que abandonar
as particulas elementares,
foram ficando intragaveis.
nao deu mais,
desalinhei

mas tudo bem,
comprei tres colchas novas:
uma faqueiro hermes
uma coberta de mesa schmidt
e botei as batatas para assar

descobri
que "nada disso importa
vou abrir a porta
pra vc entrar
ahhhh ahahh
meu doce vampiro
me acostumei com vc
sempre reclamando"
...

fazem uns 3 dias
que o mundo ficou do avesso
me debati
meditei
comprei a tal louça:
a porcelana schmidt
as colchas
assei a batata
destampei o vinho
e...

nada!

a vida continuou miseravel
dentro de mim.
arrumei briga
com o unico amigo que tinha aqui
no rio de janeiro
e mandei ele tomar no cu
porque ele eh um frouxo
um escritor punheteiro
preocupado com um contrato
e um cronograma...
o resto para ele era ejetavel...
[inclusive myself]

abortei ele !

amanha chega
meu irmao
com mulher
e 1 casal de amigos
e eu aqui,
com d2ois ventiladorers de teto
e um ar condicionado
querendo fazer
de conta
que o verao nao existe
no meu coracao

mas ele ferve babe!
queima feito
oleo diesel sujo,
e nao tem nada
que um punhado
de desacompanhamento
resolva:
estou do mesmo jeito
que quando nasci:

- só

irremediavelmente só

e sem a menor
ou mais vaga ideia
de onde possa estar indo.
enquanto isso:

boio...




e os pombos cagam na cobertura.


adoro!


e peido para os vizinhos,


sempre amarrados nos seus contratos:


- dia certo da coleta do lixo


- na assepsia da portaria


- nas leis...


debeis desejos de afeto



the law,


always the law...

fuck off the law!!!!!!



*
*
*
*





























Offline
Marcia Jappe Fagundes




escrito ao som de discos de vinyl: replicantes, jesus&MC, brian eno, fine young canibals, peter gordon, bowie, old caetanos, entre outros

sábado, 19 de fevereiro de 2011

brocas, perdizes & bolhas de sabão




cara, minha cirugia dentaria ontem fui punk!
foram 3 horas para extrair um ciso e um molar inclusos.
deus resolveu me pregar uma peça e plantou dois dentes
que nasceram para dentro, um de frente para o outro.

primeiro passo: um corte de uns 5 cm na gengiva
depois vem a broca retalhando os dentes em pedaços
que são extraidos aos cacos com pressão de alavancas...

detalhe:
nao existe dor fisica, a anestesia eh perfeita...
mas, eh como se vc fosse um carro numa oficina mecanica.
o trabalho da broca as vezes libera cheiro de osso queimado.
e eh claro, sempre tem aquele gosto de sangue na boca.
a broca gasta, o sugador entope, mas as pancadas nao param.
tres horas ininterruptas...

e eu que sempre fui a favor do parto natural, rss

1. na primeira hora tentei meditar.
2. na segunda passei a limpo meus ultimos romances
depois do casamento: uma fila de finais fantasmas.
pulei essa parte.
fui parar aos 19 anos numa estrada abandonada com a silvia,
no banco da belina branca: o sol se pondo e a gente
mandando ver...
foi especial porque ela estava menstruada.
o verão, o calor e aquele odor de sangue quente com buceta
me subindo pelas narinas ofegantes...
e agora sentado nessa cadeira sendo massacrado e bebendo sangue:
se isso nao for poesia, entao deus-que-me-perdoe!
3. na terceira e ultima entrei num estresse meio assustador
tipo panico mesmo, medo de perder o controle:
quero que pare tudo! quero ir para casa!


entao separei um pouco do meu lixo:

1. tipo uma vez que saimos para santo augusto eu e meu pai:
fomos caçando perdizes na estrada de chao vermelho,
durante um trajeto de uns 60 km.
lah chegando, fomos direto para a loja do claudio
que era um cara que foi socio do meu velho
nessa loja de santo augusto durante alguns anos.
mas, "ele era muito porco e preguicoso" - reclamava o meu pai.
matamos algumas perdizes no caminho, ou melhor
eu matei, enquanto meu pai dirigia.
nao lembro jamais de ter visto ele atirando,
desde que me ensinou o oficio.
ele sempre dirigia e bebia seu vinho, eu fazia os disparos.
e nao lembro dele deixar meus dois irmaos mais novos atirarem,
quando saiamos os quatro aos domingos, depois do almoço:
os dois menores iam no banco de tras,
eu seguia na frente, com o garrafao de vinho tinto
no meio das pernas, mais a 28 dois canos nos braços
com o cano virado para o asoalho do carro:
um ford corcel marrom modelo "ldo" placas OA 0330.

entao aconteceu o inesperado
meu velho abriu o parta-malas para mostrar a"caça"para o claudio,
e uma perdiz disparou voando aos berros prrrrriiiiiiiiiiiiiiiiii!
foi parar no quintal, atras da loja.
estava dando um trabalho danado para recapturar ela,
então meu velho perdeu a paciencia e disse:
- filho PEGA A 28 NO CARRO!!!
o claudio coloccou as duas maos na cabeça e suplicou:
- nao ivo! pelo amor de deus aqui na minha loja nao!!!
e o velho soh fez aquele "tisk tisk" de desprezo e suspirou.
depois disso o claudio se embrenhou
no galharedo onde a ave estava escondida
e voltou com ela se debatendo nas suas mãos...
- me dah essa fdp aqui!
segurou-a com a mao esquerda, e com a direita
torceu-lhe o pescoço desnucando a miserável
- guarda ela filho, que quando a gente chegar em casa
a tua mãe prepara uma polenta e a gente faz a festa!!



2. lembrei tambem de nos sentados em cima do galpao lah de casa
com uma lata de nescafe cheia da agua e sabao
fazendo bolinhas no topo do telhado
eu o mano e o toco
usavamos canudos de abobora
(colhidos da horta de casa)

a gente ficava la em cima
sentados bem na cunheira,
na parte mais alta das telhas
disputando quem fazia a bolha maior.
nao tinhamos nenhuma protecao,
bastaria um desequilibrio
para rolar telhado abaixo

esses foram os dias magicos,
as tardes de verao sem fim,
o prisma das cores
refletidos na bolha de sabão.
as vezes batia uma brisa
e elas subiam... subiam...

e a gente lah:
- olha essa, olha a minha!

Summertime,
And the livin'is easy.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

dna




nao tenho nada
nunca ticve
nunca vou ter
nada
nada eh o meu lema
nada
como
dna

meu destino
eh nadar
no
dna
do nada
assim
como quem nao quer
nada
e nunca vai
chegar
a lugar
algum

destino
incerto
pau torto
fade in
fade out
entra
e sai
feito
sexo
em
carne
vazia

nada
dna
fome
sem
comida
sou isso
fome sem food
foodless
fomeless
less






melhor assim






subir num telhado
de ceramica
soprar bolhas de sabao
em canudos de abobora

tinha doze anos
escalava o telhado
com meus dois irmaos
e ficavamos assim
vendo quem fazia
a maior bolha
cortar o veludo do ceu

no fim de tudo
elas sempre
inevitavelmente
estouravam



entao tah,
ficamos assim:

vc eh minha
minha bolha
de sabao

sopro vc
contra
o veludo
negro do ceu
de sexta
a noite


sopro
vc vem
cresece
voa
flutua

e


puft!

estoura

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

my beatnick [casandra veras]







oi. ando por aqui. tudo bem igual. e vc?
lembro sempre de vh. rs.
escrevi algo pra vc e não lembro se lhe enviei.
de toda forma é coisa antiga: segunda-feira, 1 de março de 2010 17:14:54.
é assim:



tenho meu próprio beatnick.

bem, ele é quase meu. não. tá legal.

ele é dele. ele dá muita gargalhada das etiquetas

das camisetas e da sala de jantar, são as pessoas da sala de jantar.

mas ele usa só taco. também gosto. mas uso só camisetas brancas

fabricadas por escravos em taiwan. as torres taiwan.

mão de obra barata, eles entre as baratas. e a logo: basic.

camplítilibêizic. é isso. eu só uso elas. e havainas.

só uso coisa de marca. e uns shorts grandes que disfarçam

que não tenho sex appeal. mas voltando ao meu beatnick.

ele é meio henry miller também. louco por vulvas e vaginas.

fica rebelde se estraga a bandeira gay, mas estraga as bandeiras gays.

não porque não curta exatamente lésbicas ou homossexuais.

o lance é que no momento a bandeira precisava do urubu, e vice-versa.

ele escreve e eu penso que kerouack está vivo e nu.

que aqueles outros caras também estão.

e o vejo na moto amando uma mulher durante quinze anos.

mulher de sorte. mulher de puta azar.

meu beatnick não é fácil. mas é genial como todo beatnick.

ele é lindo e esporra talento. tem algo certo com ele.

tem algo de muito errado. a mãe dele sabe e pergunta:

e aí, filho?, que óculos está usando hoje?

ele é rebelde quando escreve. não só quando escreve.

ele é rebelde porque tem coisas demais sobrando.

doze corações, vários órgãos sexuais, multidão de olhos e mãos.

ele cria choques. você olha o que ele cria e se arrepia e cai no chão

estrebuchando. são coisas fortes. muito sangue escuro preto e branco

escorrendo dos buracos e letrinhas e números.

você olha o que ele cria e quer chorar porque há algo etéreo

e muitas asas e tudo queimando. ele diz que há sempre algo queimando.

concordo.

quando ele escreve e quando eu leio ele é tão rebelde.

me leva pros motéis de sam shepard e eu vejo perto

da piscina suja uma boneca pela metade. a cabeça suja

e o corpo do outro lado. sem pernas, sem braços.

brinquedo encardido, poeira e um cara com chapéu

de cowboy se balançando numa cadeira

lendo os poemas do corso. o chevrolet batido, pneus carecas

descansa perto do posto. betty blue tá fumando um cigarro e olhando as moscas.

é viagem. meu beatnick é uma viagem.

entendo tanto ele que tenho medo.

às vezes ele me faz saber como é um homem.

ele mente. ele joga. ele tripudia. e dirige um caminhão laranja

pelas noites apanhando sacos plásticos de culpa, limpando as ruas.

ele é um fodido porque ele gosta dessa palavra. só por isso.

ele é tão livre que as borboletas ficam se doendo.

eu tenho meu próprio beatnick que não é meu.

um dia vamos nos embriagar de tequila e eu vou ter que correr.

senão ele me come. ou então vou ficar e devorá-lo.