domingo, 28 de setembro de 2008

eh a morte

cheguei numa casa onde as portas dancavam
duas portas soterradas de areia branca ateh a metade

entrei:

uma mulher estranha me atendeu
vi que era roubada e sai fora
fui parar num bar de beira de estrada
tipo bem rural mesmo
balcoes de madeira
homes do campo pelas mesas

volto para a fazenda
o laboratorista comeca a me examinar
detalha meus dentes podres com uma lanterninha
poe-se a cutucar meu coro cabeludo
arrancando nacos de cabelo e pele
com um formao de metal

dor...

por baixo da mesa um pato se agarra
nos cordoes dos meus sapatos
um cachorro sem cabeca passeia pela sala
e agora estou sentado nessa mesa
com patos me subindo pelas pernas

dois deles bicam as minhas maos
tento inutilmente me desvencilhar
mas quanto mais tento
mais eles grudam em mim

merda de patos!

acelero na estrada de chao
numa velha picape azul
cheiro de lavoura de milho
e orvalho da manha...
freiada brusca!
uma fila de canario belgas
cruza caminhando
a estrada poeirenta

desco até a beira do rio
com agua marrom feito chocolate
mesmo assim vejo o vulto
de um peixe enorme
corro excitado e vejo mais dois
um deles pisca para mim

eh a morte
nao sei porque
mas sei que eh a morte

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