terça-feira, 19 de maio de 2020





















ESTRE_ELAS

as vezes no outono
tem essa brisa de inverno
que não chega
e eu respiro voce
em cada passo que dou
quando ando de mascara
com o cão na rua contaminada
ou mesmo quando olho o céu
porque sei que vc está ai
olhando para o mesmo céu
tão pertos
e jamais
nos encontraremos

fim de tarde
saina varanda
e vi as tres marias no céu
na direção da tua casa
e imaginei que naquele instante
vc estava no quintal
ouvindo música
tirando as roupas da corda
e olhavas as mesmas
estrelas que eu

então chorei
e via as estrelas
borrarem no céu
e lembrei vangogh
e pensei que o sonho
é um pouco isso
é não saber oque vem depois
então sonhei
que vi voce sorrir
e espantar um mosquito
que te veio no rosto
e desejei estar na porta
da cozinha te esperando
enquanto trazias
a roupa nos braços
e aquele sorriso nos labios
e eu te alcaçava um cigarro aceso
enquanto  beijava teus cabelos
e ouvia o gil dizendo
“ob-observando estre-elas
junto a fogueirinha de papel”
então te apertei forte
contra o meu peito
e acordei






















JARDIM

é noite, chove
o som dos pingos
embalam minhas memórias
o cheiro de terra molhada
me leva para teu quarto
ouço as venezianas
baterem com o vento
ao som da chuva
e me sobem às narinas
teus cheiros mais teus
enquanto desco
ao meio das tuas pernas
depois de passar
pelos teus seios
e paro alí em baixo
porque sei que achei
o meu lugar no mundo
onde posso ficar
roçando tuas coisas
enquanto inalo
toda tua intimidade
e volto a ser éter
me avaporando em ti
misturando minha língua
nas tuas dobras
sugando-te até o limite
da exaustão
em que nos cosumimos
enquanto susurras coisas
e me fazes pedidos
e eu me desfaleço
na graça
dos teus espasmos
que são
toda minha recompensa
por ter te encontrado
e por achar que
és minha
enquanto brinco
no teu jardim

Não Vou a lugar nenhum
Eu já estou lá...