sexta-feira, 8 de junho de 2018

é a m o r t e
































cheguei numa casa onde as portas dancavam
duas portas soterradas de areia branca ateh a metade

entrei:

uma mulher estranha me atendeu
vi que era roubada e sai fora
fui parar num bar de beira de estrada
tipo bem rural mesmo
balcoes de madeira
homes do campo pelas mesas

volta para a fazenda
o laboratorista comeca a me examinar
detalha meus dentes podres com uma lanterninha
poe-se a cutucar meu coro cabeludo
arrancando nacos de cabelo e pele
com um formao de metal

dor...

por baixo da mesa um pato se agarra
nos meus cordoes
um cachorro sem cabeca passeia pela sala
e agora estou sentado na mesa
com patos me subindo pelas pernas
dois bicando as minhas maos

tento inutilmente me desvencilhar
quanto mais tento mais eles
grudam em mim

merda de patos!

acelero na estrada de chao
numa velha picape azul
cheiro de lavoura de milho
inicio da manha
uma fila de canario belgas 
cruza caminhando
a estrada poeirenta

desco na beira do rio
agua marrom feito chocolate
mesmo assim vejo o vulto
de um peixão
corro e excitado e vejo mais dois
um deles pisca para mim


eh a morte
nao sei porque
mas sei que eh a morte