sexta-feira, 14 de julho de 2017

Cinelandia 56

















mesa no amarelinho
a mulher anã conversa
com o homem elefante
uma traveca lidia brondi
com o tornozelo tatuado
olha para o ceu
o mendigo com a perna enfaixada
levanta e vai embora
sombras coloridas deslizam
nas pedras da calcada preto e branca
é sabado e faco 56
parece que foi ontem

uma americana pedante
tagarela nas minhas costas
levanto o dedo: mais um

pombos cagam na cabeça da estatua
o baleiro sorri sem dentes
os raios da roda da bicicleta
borram as pedras em movimento
a ciclista olha para frente
coxas duras salpicadas  de suor

esse texto vai ter que ser editado,
peço outro chope

a mae fotografa o pai e a filha
a filha fotografa o pai e a mae
ele está feliz com as duas
eu sigo tentando
senta o casal gay
na mesa da americana pedante
cabelos raspados, gordos e sorridentes
os pombos continuam cagando

levanto o dedo: lá vem o terceiro

lembro noronha
uma praia vazia
o sol se pondo
um nativo tentando
matar um tubarao
a estatua levanta voo
o pombo congela
o papel dança sonho de valsa
a calçada preto e branca
uma adolescente submerge
em camera lenta
na escada rolante do metrô
a caneta falha
o gurdanapo acaba
o homem com camiseta
do capitao america passa
a americana pedante soletra
A - MA - RE - LI - NHO

um borrão de cabelos ruivos
atravessa meu mundo em diagonal
coxas grossas, cano alto e botas pretas

levanto os braços para o céu

prendo a respiração