sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

primavera [rio, set 2009]




























gosto do cheiro do teu cabelo

e do azul dos teus olhos

e os teus olhos nem sao azuis

vc eh a metafora mais barata

que ja h entrou na minha vida

estou perdidamente

perdido por vc

porque afinal eh setembro

e quero flores se abrindo

no meio das tuas pernas

quero flores chovendo

no teu cabelo

quero flores morando

dentro do meu peito

e se abrindo por vc

quero que me saiam flores

pelas orelhas

quero que me cortem

as duas orelhas

e nao quero sangue

quero as duas no vazo da sala

com margaridas amarelas

porque eu nao escolhi ser assim

apenas embalo a vida todo o dia

num envelope com rosas e dalias

e aquelas outras

que minha mae plantava

no canteiro da frente

e que abriam ao meio dia

e se chamavam

onze horas

e eu ficava na borda

do canteiro de tijolos

com sete anos de idade

olhando elas fecharem

a abrirem na hora do almoco

e tinha sol

e era sempre primavera

congelada nos meus sonhos



porisso corro demais

eu e o roberto

corremos por mais primaveras

queremos as flores

na sala

no banheiro

queremos as flores

na cama

perfumando a tua bunda linda

as petalas macias

o cheiro de maçã madura

que nasce no meio das tua pernas

o cheiro de flor perfumada

que ascende das tuas coxas

do teu ventre

enquanto vc sorri para mim

e esses teus olhos grandes

que me fitam escancarados

com a maior calma do mundo

e eu me quebrando

para ser um cabo de rosa

soh para entrar em vc

sim

na tua vulva

essa eh a flor mais linda do mundo

faco odes a ela

sonich youth

juventude sonica

e essa musica do chet baker

que nao para de tocar nunca

e vara a noite

e a tua vulva

eh uma flor

que tah sempre sorrindo pra mim

ela me sorri em camera lenta

inversamente proporcional

a minha tristeza

crescendo em progressao

geometrica

no meio das tuas coxas lindas

e eu choro

e tenho que chorar

porque nunca vou gozar assim

de graca


quero gozar jasmim

quero gozar margaridas

e girassois amarelos

esporrear petalas

numa tarde de primavera

em que o tempo parou

numa rede

esticada na varanda

e eu bebo no meio das tuas

pernas

a unica coisa

que pode me

devolver

as flores da infancia

porque a tua vulva

eh a minha viagem no tempo

vc eh a minha viagem

vc eh  o meu sonho umido

e que se fodam

todas as outras

que vieram antes de vc

porque agora

tem um buraco

dentro de mim

e esse buraco eh a tua buceta

somos dois buracos loucos

fodendo sem parar

para perfumar as rosas

para deixar as ruas mais alegres

somos eternamente

responsaveis

pelos solavancos da vida

e eu choro

porque vc eh meu solavanco favorito

e principalmente

porque vc nunca existiu

vc eh soh um monte de teclas

que eu tenho q que escolher

tenho que matar vc

cheirar vc

morrer vc

e se tivesse agora

ao meu alcance

um revolver

daria um tiro no peito

mas enquanto nao tenho

escrevo para voce

e olha querida

nao eh por nada nao

mas vc tah me matando

mesmo que seja aos pouquinhos

vc tah me matando...



mas afinal oque eh viver??



senao morrer aos pouquinhos???















...












sábado, 12 de janeiro de 2013

dEUS




lapa café.
lapa,
rio de janeiro.
11 de janeiro de 2013:
11 da noite.
– qual a cerveja mais barata?!
– heiniken, * … reais.
(* barulho de musica alta)
– três reais??
– SEIS reais!
– puta que o pariu cara... tudo bem,  mê vê uma dessas!
o garçom desaloja seu lado petulante e me chuta essa:
– não é tão longe da mais cara…
– qual é a mais cara?
– DEUS.
–quanto cutsa?!
– 200 reais  (rindo)
– ah tah!
pego a minha haineiken, que na verdade é uma bud (vai entender)
e me dirijo para mesa bem da frente:
uma tavola redonda de 8 lugares
localizada no lado direito do bar:
vazia…
são oito cadeiras só para mim, penso...
os garotos afinam os instrumentos: pre-show pre-palco, pré-tudo!
bebo minha bud aineken.
estou triste.
é sexta
e a melancolia tatua fundo minha existencia mediocre…
é sexta
e não estou beijando ninguem,
olhando ninguem,
pensando ninguem!

deixo a bud haineken pela metade.
me dirijo ao bar, saco a cartela
enfio na mão do garçon e disparo melancolicamente:

– me vê uma DEUS!
o garçon empalidece:
– quantos copos?!
– dois!
ele coloca DEUS na minha frente,
garrafa escura.
sólida.
rolha envolta em chumbo negro.
lembro do holy grail:
– abra!
ele abre a garrafa, e coloca dois calices grandes em cima da mesa.
sirvo meia taça para ele e digo:
– beba!
ele fica muito sério:
toma um golinho...
– é para beber tudo cara!
 ele vira o copo e fecha os olhos…
dou as costas.
pego DEUS, meu copo e vou para mesa…
sento.
sirvo meio copo.
tomo um gole e…
– meu deus do céu!
tomo outro gole,
uma golada grande, e…
DEUS existe, penso…
não é pelos duzentos reais, penso,
mas a sensação é que estou bebendo
a melhor coisa dos ultimos tempos…
na hora lembro de um chiclete em pó, que explodia na boca,
que eu comia lá em los angeles…
sinto como se estivesse bebendo diamante moido…
lembro dos vinte anos,
voando naquela cocaina que parecia com escamas de peixe…
lembro de tudo isso e bebo DEUS:
– filhos da puta! essa merda realmente vale 200 reais, vale 500…
 minha melancolia foi para a puta que o pariu:
chega outro garçom na mesa e coloca a garrafa num balde de gelo.
a banda começa a tocar.
o guitarrista tem uns desenove anos:
choro.