domingo, 24 de janeiro de 2010

Purgatorio








o purgatorio existe
eu sei disso porque acabei de sair dele agora num sonho
o purgatorio eh um trem velho
com pecas enferrjudas dos anos 30
com corredores rangendo
pintados na cor verde desmaiado
com medicos gordos
vestindo jalecos sujos e desbotados
o purgatorio existe sim
estive lah agora
numa fila para comprar anti-depressivos
uma especie de mistura de sus
com a policia federal do rio de janeiro
lah onde se faz o passaporte
tudo dentro de um trem escuro em movimento
onde nao tem paisagem,
nao se ve a luz do dia
soh o barulho de ferros rangendo
e velhas gordas te atendem
atras de guiches podres
na fila para comprar remedio
e voce ali como gado
indo para o matadouro
sem nenhum amigo, sem nenhum soriso
no purgatorio nao falam com voce,
apenas murmuram,
e como numa prisao,
voce sabe que esath lah por engano
por erro de alguem
mas nao consegue sair do pesadelo

vc tah na fila a espera para mijar
num banheiro imundo em movimento

no purgatorio o tempo anda para traz (s)
feito um trem desgovernado
rangendo rumo ao alem

vila mimosa - rj







16:00hs
tarde de praia em ipanema
mauro e scott
trocentas caipirinhas
oculos escuros olhando o mar de bundas

22:00hs
bebado
entro na galeria penumbrada
tunel de sexo
pernas de fora
quadros vivos de fellinni
calor humido
bafo entorpecente
vejo essa de menos de vinte
"quanto custa"?
""eh vinte o programa"!
subimos a escada
shorts listrados
bunda perfeita
entro no quarto
deito na cama
estou nu
ela vem vindo
eu ergo a mao e disparo:
"so quero que vc sente
e esfregue essa buceta
na minha cara, entendeu"?
ela sorri e senta na minha boca
tem gosto de chiclet tutti-fruti
agarro os dois peitos taças
e passo o nariz lentamente
naquela buceta juvenil
"mais perto, senta mais perto"
engulo ela toda
eh durinha, jovem...
"se vc gemer um pouquinho
te dou mais dez"
soh cabe uma cama
naquele quarto
começo a trabalhar
com a lingua
ela geme baixinho
comeca a molhar
sorrio

sábado, 23 de janeiro de 2010

papel-carbono

Meu quarto estava um caos, a cama de casal completamente detonada, cheia de restos de material de construção: pedras, cacos de cimento e ceramica em meio a retalhos de lencois rasgadaos... acabo de chupar tres papeis-carbonos azuis fosforecentes, estou sujo, com a roupa toda esfarrapada, pareco um mendigo urbano... deitado nesse saco de dormir no chao da calcada... começo a ver o mundo em negativo, o acido do papel-carbono começou a bater... um amigo de infancia aparece, ele quer carbono, digo que nao tenho, e ele comeca me revistar enfiando as maos pela lateral do zipper do saco de dormir. .. que merda! estou com um maço deles no meio das pernas... disfarço , me viro, digo que estou limpo... chegam outras pessoas contaminadas pelo acido, farejando a mesma loucura com os olhos em negativo, penso que meus dentes devem estar azuis... começo a falar de boca fechada, com medo de ser descoberto... desconverso, o bando segue em frente... estou em fuga, quero passar para o mundo dos sem-carbono, meus polegares jah estao todos azulados... preciso tomar um banho... chego num vilarejo pobre, entro debaixo de um chuveiro, os sem-carbono me acolhem, percebem no meu gesto do banho uma tentativa de ficar limpo... logo estou comendo na mesa com eles e o bando dos polegares azuis chega: todos armados com paus... sei que o meu destino eh ter o cranio esmagado se for descoberto no meio daquelas pessoas simples que me acolheram... então dissimulo, como de cabeça baixa, humilde: cordeiro de deus... out of the blue levanto e subo para o quarto no segundo andar, onde o dono da casa te um arma... a mulher dele me passa um revolver calibre 32, estranhamente pequeno... e um punhado de balas... elas passam atraves do tambor, sao menores, sao calibre 22. sei que tenho que descer e matar alguem se quiser permanecer vivo, entao descubro uma passagem através de uma janela estreita que dah num quarto escuro, onde tem crianças debaixo da cama, elas estão se escondendo dos carbonos... tento me enfiar no meio delas, e reconheço perplexo meus filhos a 10 anos atras, ainda criancas, misturados com as outras... me apavoro! tenho que fugir para nao por eles em perigo, pulo outra janela e caio no meio de um corredor onde estao chegando os carbonos, com paus na mao, miro meu revolver e as balas nao disparam... entao junto um porrete no chao e me atiro sobro o primeiro deles, começo a dar pauladas na cabeça até que o cerebro começa a sair pelos buracos do cranio amassado... os outros fogem... eu pulo de volta para onde sai, passo pelo quarto e chego a sala de jantar, desco as escadas... as pessoas olham minhas palmas das maos... elas estao sujas de massa de modelar azul fosforecente... sera que foi aquele cerebro que esmaguei?! “Cordeiro de deus que tirai o pecado do mundo, dai-nos a paz”... lavo as maos sem sucesso... ouço as vozes fervilhando do lado de fora, tento arrancar novamente a pasta azul das minhas mãos... esfrego forte: fica limpo. Abro a porta e saio caminhando de cabeça baixa... logo estou numa estradinha de chão empoeirada... passa um conversivel branco, um cadillac enorme, que para e abre o porta malas... entro e uma menina escaneia meus polegares com uma pequena maquina luminosa ... eu conheco ela, nao sei de onde, ela sorri e diz que no polegar esquerdo nao tem nada, que estou limpo... entao o motorsita que esperava o ok, para saber se eu seguiria com eles dá partida... fico louco ao reconhecer que o motorista eh o seu jorge com boneh de driver e tudo... a menina sorri novamente e diz que meu polegar direito esta ferrado, que esse eh mais complicado de sair, e que eh assim mesmo com todos que tentam escapar do carbono... me passa um estilete amarelo dizendo que eh melhor eu cortar logo esse dedo fora... começa a tocar “desolation row” e o carro desliza na poeira da estrada... o vento movimenta os cabelos dela... enfio a mao no bolso e tiro as duas ultimas folhas de carbono azul fosforescente, amasso e enfio na boca... tem gosto de liberdade... de road movie... o sol estah se pondo na estrada, o cadilac anda forte... minha ultima visao são os labios humidos dela, um beijo e o ceu manchado do fim do dia, começando a virar negativo e aqueles cabelos morenos dancando em cima dos meus olhos enquanto os autofalantes cospem: 

Einstein, disguised as Robin Hood 
With his memories in a trunk 
Passed this way an hour ago 
With his friend, a jealous monk 
He looked so immaculately frightful 
As he bummed a cigarette 
Then he went off sniffing drainpipes 
And reciting the alphabet 
Now you would not think to look at him 
But he was famous long ago 
For playing the electric violin 
On Desolation Row 

trad.: 
Einstein, disfarçado de Robin Hood 
 Com suas memórias no porta-malas 
 Passou por aqui uma hora atrás 
 Com seu amigo, um monge invejoso 
 Parecendo imaculadamente assustador 
 Enquanto ele filava um cigarro 
 Então ele seguiu cheirando canos de esgotos 
 E recitando o alfabeto 
 E você nem pensaria ao vê-lo 
 Mas ele foi famoso há muito tempo 
 Tocando o violino elétrico 
 Na Fileira da Desolação * desolation row, bob dylan